quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dia Peculiar

Depois de 4 dias no hospital, internado, vivo a vida diferente. Parece realmente pouco, mais ou menos como: "Porra, só 4 dias e já tá assim!?" Mas é verdade. Basta que algo seja tirado das nossas mãos, obrigando-nos a sair da nossa zona de conforto, para que nós percebamos o quão importante é aquilo. Senti vontade de abraçar todo mundo, rir o dia inteiro, apesar de ainda permanecer em estado de recuperação. Mas hoje, venho dizer-lhes por palavras um tanto singelas, um fato interessante do meu dia. Exatamente às 15:04, saí de casa, fui ao médico cuja especialidade é de difícil pronúncia, fato que deixava-me perplexo quando criança : Otorrinolaringologista. Ufa! mas enfim... Sentado na sala de espera do consultório, esperando para ser atendido, uma bela moça, que estava sentada ao meu lado, projeta-se para o lado e encosta sua cabeça em meu ombro. Imediatamente fiquei assustado, pois achei que tratava-se de um desmaio, ou um pedido meio estranho por ajuda, mas logo concluí que não era. Perguntei à moça se estava tudo bem, e se eu poderia fazer algo para ajudá-la. Ela olhou para mim, e disse com voz de choro " Minha mãe faleceu semana passada, e não sei por qual motivo, senti que você entenderia o que estou sentindo". Fiquei em silêncio durante alguns minutos, tentando entender e digerir a situação que parecia surreal. Um turbilhão de coisas passou pela minha cabeça, e logo em seguida, aquela triste e amarga lembrança do dia 07 de janeiro, o dia em que perdi a pessoa mais importante da minha vida: minha mãe. Depois de recuperar-me do susto, começei a conversar com ela, em um tom meio abafado, receioso, questionando como ela conseguiu sentir que eu havia passado pela mesma situação, e sentido a mesma dor. De forma meiga e delicada disse "Senti uma energia muito boa vindo de você, então pensei que poderia compartilhar esse sentimento". Depois de mais conversa, o nome dela foi chamado para que entrasse no consultório médico, e assim o fez. Logo em seguida, após a saída dela, meu nome foi chamado. Consultei-me com o médico, e ao mesmo tempo estava pensando se ela ainda estaria lá fora, esperando. Quando saí, olhei diretamente para o lugar onde havíamos sentado anteriormente, e para minha surpresa, ela estava lá, ouvindo seu mp3 player. Abri um sorriso e me aproximei, e logo ela percebeu. Retirou os fones dos ouvidos, e retribuiu o sorriso, perguntando em seguida " Gostas de Deftones?". Confesso que, neste instante, senti vontade de sair correndo, pois já era "coincidência" demais. Convidei-a para tomar café ( tarefa pouco comum na minha querida Belém do Pará, devido a sua proximidade com o inferno em relação à temperatura), e assim fomos. Meu dia deu-se assim, de forma estranha e irreverente. Ótimo dia, diga-se de passagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário